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terça-feira, 26 de junho de 2012

dia #100 - helô

tem um pé de limão cravo do lado direito de onde trabalho. nessa época do ano, os galhos ficam pesados de tanto limão que ele carrega. o engraçado é que não o vi florido este ano; aliás, nunca o vi florido. mas limão para a limonada todo ano tem.
hoje, quando fui colher o limão, dei de cara com um passarinho escondido, acho que do frio, entre os galhos. ele olhou para mim e voou pra longe. lembrei do ninho que o limoeiro abrigava ano passado, fiquei viajando e até esqueci de pegar o limão. essa é a árvore do pomar que acompanha as estações e abriga mais vida. fazer do limão a limonada, tendo-a como referência, tomou novo sentido

dia #100 - Carlos

Um caixão pairando sobre Buenos Aires. Comecei o dia pensando nessa cena e vou terminá-lo com ela.

O escritor Roberto Arlt era tão grande, que seu caixão não passou no corredor de seu apartamento, forçando uma retirada pela janela. O caixão foi içado da janela de seu quarto, no ano de 1942, e seu corpo, literalmente, pairou sobre a cidade que inspirou seus textos. Segundo Ricardo Piglia, é esse o lugar que ele merece na literatura argentina: o céu portenho!

Essa cena surreal confirma que a vida, muitas vezes, é mais surpreendente que a ficção.