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| o buraco não parece o mapa do brasil? |
Quando o senhor começou a se interessar pelo fantástico? Quando era jovem?
Começou na infância. A maioria dos meus colegas de classe não tinha ideia do fantástico. Tomavam as coisas como elas eram... Isto é uma planta, aquilo é uma poltrona. Mas, para mim, as coisas não eram assim tão bem definidas.
Minha mãe, que ainda está viva e é uma mulher de muita imaginação, me incentivou. Em vez de dizer: "Não, não, você precisa ser sério", ela ficava contente por eu ser imaginativo. Quando me voltei para o mundo do fantástico, ela me ajudou dando-me livros. Li Edgar Allan Poe pela primeira vez quando tinha apenas nove anos. Roubei o livro porque minha mãe não queria que eu o lesse, pensava que eu era jovem demais e estava certa. Aquilo me deixou apavorado e fiquei doente por três meses, porque acreditei nele... "Dur comme fer", como dizem os franceses.
Para mim, o fantástico era perfeitamente natural. Eu não tinha a menor dúvida disso. Assim eram as coisas. Quando eu dava esse tipo de livro para os meus amigos, eles diziam: "Não, nós preferimos ler histórias de caubói". Os caubóis eram especialmente populares naquela época. Eu não entendia isso. Preferia o mundo do sobrenatural, do fantástico.
