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segunda-feira, 19 de março de 2012

sobre as mágicas cotidianas

a ideia do "mágicas cotidianas" veio da lembrança de uma leitura que o carlos fez para mim, há muitos anos, de um livro budista que falava sobre magia e sobrenatural. sempre gostei de saber sobre os mistérios das coisas, os inexplicáveis poderes mágicos que bruxas, magos, índios e o paulo coelho tinham. mas quando ele leu o primeiro trecho daquele livro de capa cáqui, vi que conhecia e decifrava a magia de que o mestre falava; ela só dependia de mim e de como eu direcionava meu pensamento e meu olhar para as pessoas, para as coisas, para as situações, etc.

metafísico demais? poliana demais? budista demais? garanto que não. serão pequenas delicadezas.

para não ser engolida pela feiura que às vezes se apossa do cotidiano, fiquei pensando, então, no quanto é importante treinar o olhar [e o espírito] para coisas legais que acontecem em um dia. convidei o carlos para esse treino e resolvemos estender essa experiência de ver as "mágicas cotidianas" para 365 dias. esperamos que gostem.

p.s. — o trecho do livro de que eu me lembrei foi este:

"Visto que a magia está tão estreitamente relacionada a nós, como podemos conquistar poderes mágicos? Como devemos usar esses poderes? Devemos avaliar o verdadeiro sentido e as assombrosas aplicações da magia diretamente em nossa vida. Por exemplo, quando olhamos belas flores, um prado verdejante ou a lua no céu, nosso espírito se eleva naturalmente e se enche de alegria. Isso não é mágico? Quando queremos agradar uma pessoa, nós a elogiamos e ela fica radiante. Se dissermos as palavras erradas, no entanto, ela pode, em vez disso, brigar conosco. Essa não é a magia da linguagem? As emoções humanas, como a felicidade, a raiva, a tristeza e a alegria, não são todas mágicas? [...] Se formos observadores, descobriremos que nossa vida cotidiana é mágica. Acontece apenas que, se estivermos desatentos, a magia deixa de ser assombrosa." — Mestre Hsing Yün, em A perspectiva budista sobre magia e sobrenatural, p. 32-34.


dia #1 - Helô

a casa limpa, arrumada, cheirando à aroma semelhante ao natural de lavanda. acendo a luz, vou fechar a porta da lavanderia e lá vejo os passarinhos olhando para mim sem fazer aquele barulho estranho "chiii, chiii": me reconheceram. sorrio.

dia #1 - Carlos

Esse blog, antes de qualquer coisa, é um espaço para eu exercitar o meu olhar para aquilo de belo que os dias me reservam. Uma tarefa diária para os próximos 365 dias.

dia #1 - Carlos

O sinal soou pelo corredor, as portas se abriram e as crianças afoitas buscavam se desvencilhar dos colegas, das mochilas e alcançar o pátio, onde correriam desimpedidas. Coloquei os diários debaixo do braço e me juntei ao pequeno cortejo. Antes que eu desse alguns passos, tive minha atenção chamada por um braço estendido entre uma criança e outra.
– Toca aqui professor! – a mãozinha era a do mesmo garoto que, na sexta-feira, ao me chamar de “cara”, fora advertido. “Cara? Como assim? Sou seu professor, rapaz!” “Ô, professor, eu sei. Só falei porque você é, tipo, meu melhor amigo”, palavras que tiraram o meu chão e me levaram a, subitamente, abraçá-lo.
Toquei a mão do garoto, abri um sorriso e disse:
– Tudo bem, amigão? – e continuei a pensar até agora, como é bom ter um, tipo, melhor amigo!